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Conversa Aberta
BULLYING, UM TEMA ATUAL MAS UMA PRÁTICA MUITO ANTIGA...
Autora
Ana Luiza Vilela

Coordenadora Pedagógica / Fundamental

Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetitivos.


Ocorre sem motivação aparente com objetivos de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade de se defender: "Relação desigual de forças ou poder."


Bully = valentão.


Existem duas categorias:


  • 1 - Bullying Direto – forma mais comum entre os meninos;
  • 2 - Bullying Indireto – mais comum entre mulheres ou meninas (isolamento, fofocas, xingamentos).

Bullying é um problema mundial que pode ocorrer em qualquer contexto no qual pessoas interagem: escola, família, trabalho e entre vizinhos.


Pesquisas mostram que o bullying escolar ocorre tanto em escolas públicas, quanto nas particulares.

O combate se dá a partir do reconhecimento pela sociedade, pelos pais e sobre tudo pelas escolas, que ele existe, é danoso e não pode ser admitido.


A escola tem a responsabilidade maior de envolver todos os seus membros na prevenção e não aceitação do bullying.


Para Telma Vinha, Doutora em psicologia educacional, para ser dada como bullying, a violência ocorre entre pares (colegas de classe ou trabalho) e apresenta quatro características:


  • - A intenção do autor em ferir o alvo;
  • - A repetição da agressão;
  • - A presença de um público espectador;
  • - A concordância do alvo com relação à ofensa.

"Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora desmotivando a ação do autor."

O autor do Bullying atinge o colega com repetitivas humilhações ou depreciações porque quer ser mais popular, sente-se poderoso, sente-se satisfeito com a opressão do outro.


O autor não é assim só na escola. Normalmente tem uma relação familiar na qual tudo se resolve pela violência verbal ou física e reproduz isso no ambiente escolar (explica o médico pediatra Lauro Monteiro Filho fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à infância e à adolescência).

Sozinha, a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticamente de bullying.


É importante que se tenha claro que é preciso ocorrer uma interação complexa de fatores para que o bullying se manifeste no comportamento de jovens e crianças. Por exemplo, ter sofrido violência, fatores socioeconômicos, família desestruturada, problemas psiquiátricos.


Crianças e jovens que comentem o bullying geralmente estão sofrendo. Sentem-se frágeis e expostos, mas não querem passar essa impressão para os demais, por isso criam barreiras e tentam a todo custo mostrar que são destemidos.



O ALVO DO BULLYING


Crianças ou jovens com baixa auto-estima retraída tanto na escola quando no lar, ou com particularidades físicas, um novato na escola ou uma menina muito bonita, entre outros aspectos físicos ou emocionais (inseguras, frágeis, tímidos...)


É fundamental distinguir a ação continua e intencional, das brincadeiras impetuosas próprias de cada faixa etária proveniente da busca natural de auto-afirmação.


Claro que existem brincadeiras entre colegas, mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão.


Isso não é tão difícil quanto parece, basta se colocar no lugar da vítima. É engraçado? Mas e se fosse comigo?



COMO AGIR COM ALUNOS ENVOLVIDOS EM UM CASO DE BULLYING


  • - Recuperando valores essenciais, como respeito pelo que o "alvo" sentiu ao sofrer a violência;
  • - Interferindo diretamente nos grupos para quebrar a dinâmica do bullying;
  • - Quem pratica bullying deve ser tratado, e não punido. Tanto alvo quanto vítima devem sentir que estão em um ambiente seguro e saudável;
  • - Estimular os estudantes a informar os casos e valorizar lideranças positivas entre os alunos (prevenção);
  • - Espaço para diálogo;
  • - Ouvir atentamente cada envolvido;
  • - Evitar injustiças;
  • - Valorizar pontos positivos e atitudes anti bullying;
  • - Educar em valores éticos, o respeito pelo outro e por si.

Alunos que praticam bullying são frutos de circunstâncias desfavoráveis em que estão envolvidos: mídia violenta, influência do grupo, desejo de ser ouvido, desejo de ser aceito e precisam de ajuda da mesma forma que a vítima.


Ninguém nasce praticando bullying, bullying é aprendido e dessa mesma maneira pode e deve ser desaprendido.


Pais educadores devem estar atentos para educar para a paz.



COMO A ESCOLA AGE


  • - Admite em primeiro lugar que é um local passível de bulying;
  • - Previne a violência em todos os níveis;
  • - Assegura aos alunos condições satisfatórias para o pleno desenvolvimento de seus potenciais intelectuais e sociais;
  • - Deixa claro que a escola não tolera determinado tipo de conduta e por quê;
  • - Trabalha com discussões de incentivo à solidariedade, a generosidade, o respeito às diferenças;
  • - Promove atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis, abordando questões de tolerância;
  • - Conversas individuais com os alunos funcionam como desabafo e mostram que ninguém está desamparado. O exemplo como maior aliado;
  • - Observando atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pelos alunos;
  • - Incentiva mudanças de atitudes, participação em projetos solidários;
  • - Buscando orientação psicológica quando necessário;
  • - Ação que envolve a todos (palestra).


PAIS E EDUCADORES


Uma educação deve ser ética, humana e responsável e para isso é obrigatória a interação entre as gerações, o diálogo e a aprendizagem compartilhada.


O bullying pode ser criado a qualquer momento e é desastroso tanto para quem pratica quanto para quem sofre a ação.


Reforçar as qualidades da criança ou do adolescente pode ajudá-lo a se blindar contra o peso das ações.


Não se trata de se estabelecer vítimas ou culpados quando o assunto é bullying, isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução de conflitos. Melhor do que culpar um ou outro é desatar os nós da tensão por meio de diálogo, oferecer um ambiente propício para que todos se desenvolvam com respeito e harmonia.


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